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June, 2009
Esqueci (!?) as carinhas, o cheirinho, os sons de risadinhas e o prazer do contato com bochechinhas, bracinhos e mãozinhas, pezinhos e perninhas das minhas meninas quando eu as beijava, ou elas me beijavam… Quando elas estavam ali tão incrivelmente perto dos olhos, dos ouvidos, do peito! Não me ocorria que aquilo passaria? Quisera ter adivinhado isto, para gravar mais que fotografias. Filmá-las teria sido brilhante, mas o acesso não era tão simples. Além do mais, tato e olfato estariam de fora...  June, 2009 Claro que há controvérsias, mas são doces estes dias de frio, se não chove. Tudo e todos se quedam mais recolhidos, menos afoitos. Reina um tipo de delicadeza. A delicadeza de falar mais baixo, de estar mais em casa, buscar aconchego, sair menos às ruas, especialmente à noite, ou de madrugada, reduzindo as chances de acontecimentos funestos. (Será que há menos crimes, nesses dias e noites? Será que criminosos não pensam melhor antes de sair para invadir, roubar, ferir? Talvez.) O fato é que dessa delicadeza vem mais poesia, mais cuidado, mais olho no olho e intimidade, inclusive com as coisas nossas de cada dia. Mesmo que à força, olha-se melhor para dentro. Para dentro da gente, dentro de casa, dos guarda-roupas, das gavetas. E pensa-se nos outros que, se têm gavetas, agasalhos dentro delas não têm. E se constrange o coração de muitos, donde surgem doações, campanhas do agasalho, solidariedade, algum compartilhamento. Não se vê, no verão, distribuição de shorts, camisetas-regata, biquínis... Não se constrangem os corações pelo calor que os menos favorecidos andam passando, até porque onde não há o refresco do mar há o de um rio, cachoeira, piscina, tanque ou torneira, e muito menos se deflagram campanhas para doar refrigerantes, sorvetes, saladas. E isto pode embrutecer a gente… Nestes dias frios há mais silêncio, mesmo de dia, inclusive da parte dos bichos, como se dessem trégua a correria e a barulheira, latidos e comparecimento de aranhas, baratas, formigas. O olhar é mais atento, menos disperso, mais perspicaz: sente mais. E sentar ao sol que não queima nem faz suar aquece também a alma, convida a sonhar, cochilar, namorar... Daí mais comedimento, menos espalhafato, mais elegância. Anda-se mais devagar, sempre que possível, talvez para armazenar calor, e isto prolonga os passeios e as conversas, se se está em paz. Dá vontade mais vezes de arrebentar pipoca e tomar chocolate quente, de beber mais chá ou café, de assar bolo e pão, fritar bolinho, ficar junto, conversar. E de abraçar o cobertor que ficou quente, na janela (que delícia!) e aproveitar aquele trecho da cama (ou de qualquer outro lugar) onde o sol pega à tarde, ou de manhã, e sentar ali com um livro, esquentar os pés, as costas, chupar mexerica, lagartixar... Tão simples! Aqui, nas montanhas, nem venta nesses dias. Lá pelas tantas pode passar, como em câmera lenta, uma nuvem leve, frisada e branquíssima, muito alta, a lembrar os Alpes ou os Andes, talvez. E o céu é tão profundamente azul que parece ser ele o responsável pela quietude da vizinhança: talvez tenham parado um pouco para beber desse azul, desse sol ameno, do ar mais fino, mais limpo. Ou, quem sabe bordem mais, leiam mais, lagartixem mais? Também pode ser que se acovardem mais no sofá, diante da TV, encolhidos e tolhidos... cada um, um estilo. Claro que pisar descalço no piso frio do box, no banheiro, exige um “plus” de disposição, e sair do banho quente e relaxante, ou da cama de manhã quase requer coragem mesmo, em pessoa, e digo quase porque não dá para esquecer do que requer verdadeira coragem nesta vida e que passa longe de tocar em metais e azulejos gelados! Esses pequenos sustos, quando nem 10º marcam os termômetros, compõem o lado ruim dos dias frios. Mas desgraça é outra coisa. Agradável não é lavar as mãos na água fria, ou tirar a roupa para entrar no banho, muito menos o são as tarefas dos que precisam mexer em água, e o dia-a-dia penoso dos desfavorecidos pela imprevidência própria ou alheia, mas tudo também faz parte. O nome do planeta é Terra, não Céu, o que faz da vida aqui um campo de provas. Com chances de pequenos e grandes prêmios. Felicidade completa, mesmo, só a dos bichinhos domésticos: pegam sol o dia inteiro, espalhados onde há mais calor, lânguidos e preguiçosos, se é que se pode – ou deve - atribuir a eles qualidades tão humanas. No inverno ou no verão. April, 2009
Então ele vem ao Brasil… Foi em ‘98 que estourou por aqui com a música “Con te partirò”, lembram? Já lá se vão quase 10 anos! Primeiro se apresenta no Rio, dia 18/4, sábado, no HSBC ARENA. Depois, São Paulo no dia 21/4, feriado nacional, no Parque da Independência. O repertório elege o último CD, Incanto, mas espera-se que ele diversifique: os fãs querem ouvir tudo, até porque provavelmente será a única vez que o teremos por perto. Quem viu os últimos DVD’s, dos shows em Las Vegas e depois na Toscana, terra natal, concorda comigo: repertórios de arrepiar, fazer chorar, sonhar e amar. Quem não viu, veja!
Daí que a mamãe aqui foi dormir com tudo isso na cabeça e… bingo! Tive um encontro vívido com ele, pela primeira vez, e olhe que não foi por ouvi-lo pouco (se bem que, ultimamente, só tenho ouvido IL DIVO… Talvez por isso ele tenha resolvido vir ao Brasil, não é? Defesa de território! hahaha…). Então, foi assim: ele chega pra me buscar no colégio onde estudei (mas, gente, isso foi há 40 anos!). A que ele encontra não sou eu de hoje, eu acho, por causa do colégio. Mas a emoção é minha, da mulher que eu sou hoje e que se vê no sonho: quase pânico. Bom, vou logo dizendo, pra dar mais realidade à coisa - vai que ele evapore? - em italiano: “— Ti voglio bene dal millenovecentonovantotto!” (assim mesmo, tudo emendado!), o que em português quer dizer: “—Gosto de você desde ‘98!” Inocente, não? Mas não me ocorreu nada melhor, ou não tão comprometedor... Ele agradece, mas não me lembro das palavras porque aí ele segura minha mão e isto me parece absurdamente natural e cotidiano. No entanto, é o astro italiano em pessoa...
Curioso: o fato de ele ser cego não aparece. E noto que a mão dele sua (Freud explica…). Não é agradável, mas convenhamos: ele póóóde! E vamos descendo a rua, à noite, e muita gente passa por nós. Nem quero saber se nos olham. Só penso (pra que?) que é um momento para aproveitar. E fico gelada por saber que é sonho, o que pode pôr tudo a perder… Mas quero ver no que vai dar! Percebo que estamos muito próximos, ombro a ombro, embora, na realidade, ele seja bem mais alto (Vai entender!). Usa um casaco preto de couro e de repente solta minha mão: tira o casaco e o joga no ombro. Retoma a minha mão (!) e me vejo dizendo: “—Can’t believe it’s really happening!”. Em bom português: “— Não acreditoooo!!!”. Mas é só modo de dizer… Afinal, estou lá, sim.
(Que medo, que medo de acordar, e eu sei que sei que estou assistindo meu sonho, droga!…) Mas ele responde que é claro que está acontecendo ! Qual é a dúvida? Só que a maledetta da minha consciência decreta que é improvável e eu me lembro, na hora, daquela cena do filme Em Algum Lugar do Passado: ele chegou ao passado, depois de mil peripécias, está prestes a encontrar seu amor, mas pega no bolso do colete uma moeda de hoje e volta ao presente no ato! Terrível, aquilo… E acontece o inevitável: acordo. Fine! Em italiano, que quer dizer FIM... não em inglês, que significa ÓTIMO! 
February, 2009
As the sun can't help shining, you can't help charming, pleasing, bewitching...
(Como o sol não pode deixar de brilhar, também vocês não podem deixar de encantar, agradar, cativar...)
January, 2009 
É intrigante o que sucede na virada do ano. Rigorosamente tudo muda tanto quanto mudava no dia 30 de dezembro ou em 5 de março... Logo, não faria sentido o sentimento que se apodera da gente, de expectativa similar à que domina as crianças na véspera do Natal. Só porque um ano se acaba e começa outro? (Ou porque chegam agendas novas, que nos remetem à gostosa lembrança dos cadernos e livros novinhos em folha da nossa infância?).
É certo que não muda a estação nem a situação por causa disso. Não passa a fazer Sol de noite (graças a Deus, aliás...) nem cessam os conflitos no Oriente Médio. Não se perdoam as dívidas, não se multiplicam os benefícios (os do INSS, muito menos...), não se acalmam os cães por causa dos foguetes, enfim, nada de excepcional ocorre por conta da mudança no calendário. Então, por que a euforia? Por que a sensação de festa, quase obrigatória?
Claro que, em parte, porque a mídia instiga, alimentada pela sede de vendas do comércio no deus-nos-acuda de Natal e férias. Mas o motivo determinante desse status quo é o cansaço geral. Pais e professores, crianças e adolescentes, trabalhadores e ociosos vão chegando ao limite da paciência, da boa vontade e da energia. Porque o último 1o. de janeiro já vai tão longe que parece que já faz 3 anos! As retrospectivas da TV nos fazem rever os acontecimentos todos juntos, e até duvidamos que alguns são mesmo do ano que acaba. Cansaço!
Não dá pra negar que a gente se deixa levar por ele em parte porque sabe que aquela fatia de tempo chamada ano está mesmo nas últimas: não fosse assim e a gente aguentaria mais um pouco. Mas, a que preço? Ritos de passagem são importantes, necessários. Sem eles o tédio tomaria conta. Só os imprevistos - visitantes assíduos - quebrariam as infindáveis rotinas dos dias e noites, noites e dias. Então, festejar e relaxar, dar um tempo e uma trégua são questão de saúde, inteligência e necessidade. O que me leva a concluir que não, não tem nada de intrigante no que acontece na passagem do ano... E isto, sim, é intrigante! 
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